quinta-feira, 31 de março de 2011

As Horas - Kamilla Santos


figurino, produção e idealização da foto by Kamilla


Perdi meu relógio...

As horas não me dizem respeito;

As horas não me trazem respeito.

Em minha casa fechada as horas se comprimem gritam e dançam

Mas não me tocam.



Quando eu tinha um relógio...

Eu me sentia mais digna perante aos meus...

(de qualquer forma mística e imprecisa),

Mais ligada à realidade social;

(e de qualquer forma subterrânea)

Mais parte da engrenagem.



Agora as horas estão loucas e eu as desprezo...

Pois junto ao meu relógio de pulso

Atirei todas as convenções sociais

E me rendi à verdade incerta,

Dancei e chorei aos pés da vida;

Cometi os atos mais infames e os mais santos, lancei-me ao céu e lama;

Obriguei desesperada e calma a vida a me responder. Fiz!

(e me senti de forma verdadeira e profunda parte da existência!)

Sem relógio, sem convenções sociais ou tato

Nua, pude ouvir brevemente o silêncio (bela melodia divina)

E sair do tempo onde não há vida nem morte,

Onde a razão se curva e tudo tem o lindo significado da falta de finalidades...

Não importa o que se sabe

O Eu é só um conceito aleijado!



Sei que o relógio é um artefato de primeiríssima importância para a

sobrevivência

Moderna...

Mais me coração dilatado já não tem parâmetros ou medições!

E as horas; elas são como deuses distantes e imperceptíveis

Eu as abandono ao tempo onde elas caem diante da eternidade e perdem o sentido.



Nós somos um lampejo no universo atemporal, a parte isto,

Tudo é tão absurdo quanto tudo.

O universo segue sem relógio

E nosso mundo está repleto de horas!





Kamilla Santos

2 comentários:

  1. Vânia Ferreira Veras31 de março de 2011 22:55

    Palavras que caem bem na aposentadoria. Gostei muito.

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